As implicações da vida moderna em O Edifício, de Will Eisner

As implicações da vida moderna em O Edifício, de Will Eisner

13/02/2019 0 Por Vinicius de Andrade

William Erwin Eisner, ou Will Eisner, foi um renomado quadrinista norte-americano e conhecido por sua obra The Spirit. O quadrinho contava a história de Denny Colt, que foi considerado morto e que, sob a identidade de Spirit, luta contra o crime secretamente – aliás, Eisner já se diferenciava por aí: Spirit era um herói sem superpoderes.

Eisner se destacava pelos enquadramentos cinematográficos, técnicas de sombra e luz inovadoras e um roteiro sólido e de boa qualidade.

O autor também nutria grande interesse pela vida cotidiana, especialmente pela vida no Bronx, e desenvolveu uma série de graphic novels do gênero. Uma delas é O Edifício (The Building), de 1987.

O Edifício conta a história de 4 personagens diferentes, que vivem realidades diferentes dentro do mesmo espaço: o mundo urbano e a fugaz vida citadina ao redor de um edifício. Monroe Mensh, Gilda Green, Antonio Tonatti e P. J. Hammond não só se enquadram em realidades diferentes, mas também podem representar estratos sociais diferentes – talvez o ponto principal desta leitura. Durante a leitura, também tentarei tratar dos elementos gráficos e vários outros aspectos da obra.

O Edifício, de Will Eisner

A novela gráfica O Edifício constrói suas personagens de maneira a que suscitem uma coletividade que represente a fugacidade do cotidiano, da vida citadina, através do uso de página. Além disso, arrisco a tentar identificar na obra uma possível empreitada crítica ao modo de vida moderno capitalista, tecnicista, que se desenvolve no bojo da obra.

Will Eisner

Will Eisner

Para abordar a constituição das personagens e, por assim dizer, seus “tipos sociais” podemos lançar mão dos parâmetros sugeridos por Antônio Cândido em A personagem de ficção, que trata das diferentes tipos de personagens desde sua constituição até sua classificação. Apesar desse texto ser mais comumente aplicado a obras literárias, penso ser válida a extensão que aqui utilizo para o campo dos quadrinhos justamente por O Edifício se tratar de uma novela gráfica. Ou seja, a construção do enredo e a complexidade da interação das personagens da novela gráfica com o meio nela caracterizado, em nada minoram seu valor diante de uma obra literária – aliás, a novela gráfica faz uso de semelhantes ferramentas para estabelecer uma relação obra-leitor, principalmente a capacidade do o enredo comportar valores e ideias que em muito ultrapassam o limite da “ação” dos desenhos página a página. Portanto, buscar em Monroe Mensh, Gilda Green, Antonio Tonatti e P. J. Hammond as marcas, na constituição destes personagens no enredo, que apontam os grupos que eles podem representar pode ser uma leitura proveitosa. Aqui, também, pretendo analisar como a linguagem verbal é articulada para elucidar esses tipos – principalmente a utilizada pelas personagens de menor enfoque na novela gráfica – e também a relação toda que esses dados anteriores podem estabelecer com a construção de um estereótipo.

Boa parte da análise será pautada na obra de Scott McCloud, Desvendando os quadrinhos. Tentarei, através de uma leitura de página, mostrar como ela (a página) é a principal ferramenta para trazer aos olhos do leitor a vida cotidiana; mostrar de que maneira Eisner consegue trabalhar a divisão de páginas para o fim da representação da vida urbana.

É desta leitura que irá emergir uma possível crítica ao modo de vida moderno – pautando-me ainda na leitura de Os Filhos do Barro, de Octávio Paz. Classificando os aspectos da vida moderna e a transformação que o meio cosmopolita promove nos seres nele inseridos – no nosso caso, as personagens de O Edifício –, indicando uma ligação com a “incompletude”, ou não-realização pessoal em vida, encenadas e encerradas nas personagens da obra.

Personagens e a sociedade n’O Edifício

As personagens principais de O Edifício constituem-se de características pertencentes a determinadas classes/estratos sociais. Esta característica não nos parece ser trabalhada de maneira não-intencional. Pelo contrário, Eisner inseriu as personagens desta maneira no enredo justamente a fim de torná-las “representantes” de estratos sociais existentes. Saber se ele o fez por métodos empíricos, a partir da sua própria vivência (há proposituras de leituras biográficas desta e de outras obras de Eisner), talvez não seja o interesse maior e não influi nos resultados que buscamos.

Página 5

Página 5

A história da obra é a de um edifício e a sua trajetória de oitenta anos até a demolição. Juntamente a essa jornada estão ligadas as vidas das quatro personagens principais: Monroe Mensh, Gilda Green, Antonio Tonatti e P. J. Hammond. O enredo alinha a vida cotidiana das personagens e seus momentos decisivos à história do edifício.

Iniciada in média rés, a narrativa ainda traz um flashback retomando rapidamente a história do edifício, mas que também atua para o tempo narrativo do “hoje”, através de um novo edifício havia sido construído para substituir o antigo. Depois dessa pequena retomada inicia-se a apresentação das personagens que já estão mortas, e que se encontram em frente do novo edifício na forma de fantasmas. Tem-se ai já um dado de uma história fantástica, que pode de alguma maneira enganar o leitor, uma vez que a história não decorrerá sob estes parâmetros. O estado de morte das personagens é, pois, importante para que as histórias se acumulem e tomem aspecto de memória, não só das personagens, mas sobretudo do edifício. A página 5 ilustra muito bem isso. A partir daí, a história se divide e as personagens começam a ser narradas separadamente, como se cada uma fosse um capítulo e cada capítulo levasse seu nome.

Monroe Mensh

Inicio pela personagem Monroe Mensh – a primeira a ser narrada. Monroe é o típico cidadão das grandes cidades, que precisa estar alheio ao mundo que o cerca para traçar uma existência tranquila, rotineira e sem sobressaltos. Solteiro, Monroe elucida a classe do trabalhador médio, que não é rico, mas tem uma vida com certa tranquilidade. Preso à rotina de trabalho e também ao próprio modo de vida que a cidade exige desse tipo de cidadão, Monroe não dá continuidade à família: não é casado, não tem filhos, e parece que isso se dá mesmo por uma necessidade para viver-se bem naquela cidade. Exemplos disso podem ser constatados nas páginas 9 (onde, enquanto um casal discute, a personagem em questão fecha as cortinas para não ver/ouvir), 10 (enquanto trabalha na loja de sapatos) e 11 (inserido na multidão que vai e volta pelas ruas, indo e vindo de seus trabalhos).

Página 9

Página 10

Página 11

Na página 12 se dará o acontecimento fatídico. Um carro passa pela rua do edifício e seus ocupantes disparam contra os transeuntes. Uma criança é atingida ao lado de Monroe (ainda mais, a bala ricocheteou ao lado da cabeça da personagem, dando a impressão de que ele era destinado a morrer, mas acaba por atingir o menino). Dá-se ai a quebra da rotina de Monroe, o fim do sossego e da vida sem sobressaltos. Este dado é importante, afinal é ele que mudará a perspectiva da vida da personagem, a fim que desempenhe sua jornada na busca de um sentido maior para si, que não mais aquele de apenas permanecer no mundo, subsistir.

Página 13

Página 13

Muito interessante será o que se passa entre as páginas 13 e 14. Eisner, na página 13, coloca como último diálogo de Monroe um lamento que se dá ainda em frente ao edifício (primeira metade da página). Depois disso, há só o retrato do personagem aparentemente pensando e com uma lágrima a escorrer (segunda metade de página). Na página 14, Monroe já está a demitir-se. Essa tomada de decisão, claro, não deve ter sido rápida ou repentina, Monroe deve ter passado muito tempo refletindo sobre tudo o que aconteceu e, também, em toda a sua vida. Esse é, finalmente, o momento em que parece que a vida de Monroe toma corpo e aparece com enfoque, destaque, na novela. É o momento da tomada de consciência da personagem sobre si mesma. O uso da página (uma metade apenas) é decisivo para essa representação. Oras, até mais que isso, pensamentos, dúvidas, diálogos internos, reflexões, são todas abafadas por esse uso de página, que torna o momento aparentemente fugaz.

Aqui se faz necessário ressaltar o uso de página na novela. A composição da página não é feita de maneira tradicional, não há quadrinhos definidos, nem uma continuidade/sequencialidade horizontal fixa. As cenas dão-se ao redor do acontecimento principal, ou da imagem mais marcante e, geralmente, cada página retrata um acontecimento longo, um decorrer de tempo relativamente extenso para o uso de uma página apenas.

 

Página 14

Página 14

É dessa forma que Eisner retrata o cotidiano, o modo de vida citadino – rápido, sem uma ordem definida, onde as coisas acontecem ao mesmo tempo, no mesmo ou em vários lugares. Os diálogos são curtos muitas vezes até inexistem. Quando existem, são direcionais, indicam logo a próxima cena e o que há de se desenrolar por lá. Penso que esse uso de página, nesta obra, é imprescindível não só por fornecer/propiciar-nos um retrato subjetivo da vida cotidiana, mas também por economia. Se a obra utilizasse a divisão tradicional em quadros, certamente os saltos temporais seriam muito menores e/ou difíceis de alcançar, o que demandaria mais e mais páginas, trabalho e soluções tanto de enredo quanto gráficas – a obra se tornaria muito extensa, afinal lembremos, ela narra a trajetória de vida de quatro personagens. Aliás, a representação gráfica, que transita entre o real/natural e o iconográfico. É pictórico, mas real o suficiente para nos remeter a uma representação da vida.

Retornando à personagem, Monroe ao deixar o trabalho de muitos anos e partir para a caridade infantil, busca suprir aquela sua incapacidade de salvar o menino que fora atingido em frente ao edifício. Quando aceita o trabalho mais “baixo”, o único que o podiam oferecer ali, mostra que o ímpeto de mudança é forte.

É ai que Eisner se utilizará de outro recurso para representar um estrato social: o da linguagem verbal. Na página dezessete, quando Mensh encontra-se com a personagem Chico – que é uma das crianças que ele tenta ajudar –, a fala do menino é marcada pela realidade social em que ele se insere. O diálogo entre Chico e os outros dois rapazes, que o encontrarão em seguida, é transcrita coloquialmente, ao contrário das falas de Mensh e das outras personagens até então, tentando justamente reforçar essa “imagem” social do menino – no caso de Chico, a da rua.

Depois disso, seguem-se uma série de tragédias, onde Mensh é sempre incapaz de ajudar as crianças a que se dispôs e zelar pelas vidas. Quando pede demissão da “Caridade Juvenil” e associa-se a “Sociedade salve um garoto”, Mensh enfim parece conseguir atingir seus objetivos e ajudar as crianças com seu trabalho. No entanto, com o passar dos anos, a empresa mostra-se mais uma fachada para lucrar e acaba por ser fechada. Desolado, só restava a Mensh um “último sacrifício” e é assim que ele se submete ao risco de vida de uma transfusão sanguínea para tentar salvar o garoto que ele não conseguira evitar que fosse atropelado. Mensh falece por conta de uma embolia e de sua fragilidade. O garoto também falece e confirma a incapacidade de Mensh para salvar aquelas vidas. Indo além, a incapacidade de dar sentido a própria vida, aquela que, desde o tiroteio no edifício, ele vinha tentando mudar e dignificar, de certa maneira.

Daí em diante, irão se desenrolar as histórias das demais personagens. Estas não diferem muito do desenrolar da primeira personagem: usam-se quase sempre os mesmos recursos linguísticos, o uso de página, os balões. Portanto, não me aprofundarei nestas personagens, pois ao descrever a primeira personagem e os recursos que o autor emprega na construção dela é o suficiente para entender o trajeto das personagens que terão suas histórias narradas após ele. Interessa agora tentar mostrar como, no bojo da história de cada uma, as personagens têm uma enorme carga estereotipada, que é também o que possibilita o próprio desfecho da história.

Gilda Green, Antonio Tonatti e P. J. Hammond

A proposta, a partir daqui, é tentar demonstrar como essas três personagens são construídas e desempenham seus papéis, ligadas a um estereótipo. Mais uma vez é impossível saber se por raízes culturais/sociais do autor, ou se por mero senso comum, as personagens que serão analisadas a seguir são recalcadas por estereótipos que permeiam, e até mesmo compõem, a sociedade moderna.

Página 25

Página 25

Comecemos por Gilda Green, típica jovem americana, que, por sua beleza, poderia ter qualquer homem – tanto que era a mais cobiçada do colégio –, mas que, no entanto, apaixona-se por Benny, o poeta. Benny carrega toda a carga estereotipada que a sociedade moderna produz, a do poeta que escreve “poesias que jamais seriam publicadas”, do homem sem que não tem a segurança do dinheiro, que produz arte e não bens de consumo, por isso, não é considerado útil. Os dois se encontravam sempre em frente ao edifício.

Gilda também tem essa carga de estereótipo, tanto por ser essa “típica” jovem americana como, depois da formatura e de algum tempo ainda com Benny, quando resolve casar-se com Irving, em busca justamente do conforto, segurança, prestígio social que o dinheiro dele poderia lhe prover.

O desenlace é a descoberta da traição por ambas as partes (Gilda e Irving), a perca do sentido do casamento, o amor velado e inabalável de Benny e a morte de Gilda, causando a infelicidade tanto do marido (Irving), quanto do amante (Benny). É uma história de amor de vida moderna: o grande impasse entre o que se quer, e o que se deve fazer, concentra-se no capital, ou no que os padrões da sociedade espera que se cumpra, uma imagem esperada. Assim, o desenvolver da história de Gilda, e dos antagonistas deste “capítulo”, dá-se porque essas personagens são estereotipadas como os típicos habitantes citadinos, urbanos, adeptos da vida moderna e de seus problemas.

Um elemento diferencial, e que pode vir a ter um sentido mais profundo – que não será aqui mais que apenas citado –, é que Gilda aparentemente morre de tuberculose. Se nos lembrarmos dos poetas – principalmente os ultrarromânticos – veremos que era quase que sua sina, quando não desejo, serem acometidos pela doença. Aqui se faz uma ironia sutil, mas válida e que, de certa forma, vem a quebrar esse estereotipo: quem morre é Gilda, a “musa inspiradora”, não o poeta.

A construção das personagens a partir de modelos estereotipados tem, acredito, o objetivo de criar o aspecto da verossimilhança. Por se tratarem de personagens de tipos citadinos, a verossimilhança que a novela gráfica busca está enraizada mesmo nos estereótipos, no que se pensa sobre tais e tais pessoas, o que se acha de suas vidas – mesmo quando isso não condiz com a realidade delas.

Página 50

Página 50

O mesmo acontece com Antonio Tonatti. Antonio, apesar de não dito explicitamente na obra, é filho de imigrantes que levaram uma vida difícil na América – é possível inferir isso com muita clareza pelo nome que, aliás, sem o acento circunflexo, é de origem italiana. Talentoso com o violino, teve que deixar a musica de lado para trabalhar e poder sobreviver através da construção civil, onde sofre um acidente e fica inválido, vivendo com a pensão do governo. Tonatti, então, passa a tocar seu violino todos os dias em frente ao edifício e sua música “aplacava discussões… amenizava feridas… e fazia reaparecer o amor”. Acompanhava a trajetória do edifício e de seus moradores.

O violinista também tem um papel importante na constituição da verossimilhança. As páginas que narram sua história são o local onde há o cruzamento das demais personagens até ali apresentadas, afinal elas vivem, ou convivem, naquele mesmo edifício. Enquanto Tonatti toca, passam por ele os outros personagens que foram narrados: Mensh, sempre com sua maleta e seu caminhar “anônimo” (página 51) e Gilda e Benny, num de seus encontros (página 49). É importante dizer que o cruzamento não é só no sentido de cruzar o caminho de Tonatti, é do cruzamento das vidas das personagens, pois a música dele “acrescentava paixão a um encontro amoroso” (Gilda e Benny) e “incutia determinação nos mais fracos” (Mensh). Assim, as vidas se entrelaçam, interdependem, mesmo que inconscientemente – o que já é uma característica da vida moderna e urbana.

Página 49

Página 51

Seguindo, teremos P. J. Hammond, o típico capitalista burguês, herdeiro de um legado e uma fortuna. Apesar de, nos primeiros anos na empresa do pai, ter tido ideais diferentes, acabou se rendendo e tornou-se espelho de seu velho. Na sua sede por propriedades, compra toda a região onde está o prédio, mas não consegue comprá-lo. Faz de tudo para poder possuir o edifício, até que, corrompendo um funcionário municipal, consegue adquirir o imóvel. Porém, liquidara quase todo seu capital para consegui-lo e o edifício encontra-se em ruínas – por conta mesmo das exigências que foram feitas ao antigo dono, a fim de facilitar a compra do imóvel. Sem saída, Hammond tem de vender o prédio.

Aqui se fechará o ciclo das histórias das personagens. É importante notar que o “último” dos moradores do edifício, ao se suicidar, assina também a morte do prédio. Assim, o contrato para a demolição do edifício é ratificado apenas pela última personagem, mas o edifício já fora demolido e renovado em todas as histórias das personagens narradas anteriormente (páginas 7, 23, 42, 53 e 70), o que faz com que obrigatoriamente as histórias se acumulem, não só na narrativa, mas ao redor do edifício. O edifício é um elemento unificador, é ele que une os fios narrativos das diferentes personagens.

Arriscando uma crítica à vida moderna

Quando, no encerrar da obra, um homem que limpava as janelas do novo edifício despenca em direção ao chão, surge uma nova chance para as personagens. Já mortas, são elas que irão salvar o homem e os transeuntes aos pés do edifício. Mensh consegue, finalmente, salvar uma criança; Gilda, ao aparecer para Benny, faz com que ele empurre dois senhores que saiam do edifício e não viam a queda dos equipamentos do limpador de janelas, e acabe os salvando; Hammond segura o letreiro em que o homem se agarra para não continuar caindo; Tonatti toca seu violino, mantém o limpador calmo e faz com que ele aguente até ser resgatado. Assim, segue-se a vida do novo edifício, acumulando novas histórias, sendo palco delas, assistindo-as.

A crítica à vida moderna, acredito, reside no fato de todas as personagens principais só conseguirem o êxito, o sucesso maior, justamente depois de perderem suas vidas. Enquanto viventes, foram sempre frustrados de diversas maneiras, tanto por estarem inseridos nessa vida rápida, que não permite um tempo para refazer-se, tentar de novo, que impõe perfis para serem seguidos, que forma pensamentos, molda vidas. A crítica que possivelmente Eisner quis inserir na obra é justamente essa: a vida moderna, capitalista pode promover tudo relacionado ao consumo, menos a realização completa. Nem o edifício resiste e é demolido, e com ele todas as memórias – que são salvas apenas pela narrativa. Mais uma vez é a fugacidade da vida moderna, isso tudo se vai, as vidas das personagens se vão, o edifício se vai. Ergue-se um novo edifício, que abrigará muitas mais histórias, vidas, aconteceres e que será também destruído, erguendo-se outro no lugar e que seguirá em frente.

A vida moderna é a vida do anonimato, das coletividades individualistas, dos estereótipos. Todos estão ali para cumprir seus papéis previamente definidos e qualquer que seja a realização, ou o sentido que tanto se almeja para si, só poderá ser encontrado em qualquer outro lugar, mas não neste tipo de vida.